segunda-feira, 12 de agosto de 2013

O PIOR DA PSORÍASE É O PRECONCEITO

No início foi um pequeno cascão arredondado próximo ao cotovelo, a maioria pensa assim, será que me feri, sarou e nem percebi? Como fazíamos na infância não sossegamos enquanto não arrancamos o cascão, fica aquela vermelhidão, dias depois se repetiu e eu não tive dúvida é psoríase, eu pensei com meus botões fui "premiado", é que eu havia acompanhado o sofrimento de minha mãe por vinte anos, eu vivia aquele sofrimento junto com ela, o seu dia a dia, a levava ao médico, comprava os remédios, a psoríase tomava todo o seu corpo e couro cabeludo de forma agressiva, violenta, às vezes acontecia um choque em alguma superfície do corpo, em uma parede, na quina de um móvel, e soltava-se do corpo parte da pele com carne presa, sangrando bastante, era muito doloroso para ela e para família.

Procurei um dermatologista que baseado no histórico da minha mãe confirmou; aquela mancha esbranquiçada que a princípio havia aparecido no cotovelo e aquela altura já havia também na barriga, pernas, e nádegas, couro cabeludo, era sim psoríase.

Procurei não me abater, pois comparava com a doença de minha mãe e percebia a diferença, a minha psoríase era bem menos agressiva e ocupava menos o meu corpo, continuei a levar a vida com normalidade usando as mesmas vestes, aos sábados e domingos colocava uma bermudinha ia a um barzinho, frequentava a praia, e notei os olhares, de interrogação, que será aquilo? E o que me vinha à cabeça é que pudessem até pensar que fosse AIDS afinal as pessoas não se dão ao trabalho de conhecer nada que não se refira a si mesmo, até que um dia fui a um clube, meus filhos foram para piscina, a distancia os observava, os dois maiores na piscina de adultos e o menor na de criança, em um dado momento me aproximei da piscina em que estava o meu filho caçula, vestia bermuda estava sem camisa, não estava com roupa de banho por tanto não pretendia entrar na piscina, uma mãe em uma mesa próxima deu um pulo da cadeira e gritando quase histérica tirou os filhos da água. Abati-me muito, peguei os meus filhos e fui para casa, a partir daquela data evitei me expor em lugares públicos, só vindo a superar agora mais recentemente a cerca de um ano, até por que a pele tem ajudado, tenho vivido um período de bonança.

Este é um drama inerente ao portador de psoríase principalmente quem carrega a forma mais severa. A doença pode ser muito dolorosa, afeta não só o físico, e sim fortemente o emocional do paciente. Embaraço, frustração, medo, depressão são sentimentos que a vergonha faz surgir, nos deixa tão abalado que nos isolamos do convívio com as pessoas.

A psoríase se manifesta de várias formas, o seu desenvolvimento não é previsível, dependendo do paciente se apresenta de formas diferentes. A lesão típica a pápula caracteriza-se por uma pequena elevação avermelhada, limitada a uma determinada região, meio que endurecida, virando um cascão (escamas) em seguida. Pode se apresentar em uma determinada área ou em todo o corpo. Entretanto as formas mais frequentes são as manifestadas nos joelhos, cotovelos, e na região sacral (na base da coluna acima das nádegas), outra forma é nas palmas das mãos e na sola dos pés, unhas, entre dedos, também afeta com muita frequência o couro cabeludo e em minha opinião é justamente a que mais incomoda, pois causa uma coceira terrível.

A forma artropática é a mais grave, pois ataca as articulações, principalmente os dedos dos pés e das mãos eu particularmente tenho sentido no inverno incômodo nas articulações dos joelhos.

Predominantemente na raça branca, é mais comum em adultos, há casos em crianças mas são exceções, a psoríase é uma doença crônica, não contagiosa, de causa desconhecida e que afeta tanto homens como mulheres indistintamente.

Há a hipótese de haver uma pré-disposição hereditária para o desenvolvimento da doença, não significa que outros membros da família venham a desenvolver, - no meu caso especifico se confirmou esta hipótese; hoje convivo melhor com a doença pois houve uma remissão significativa, voltei a usar roupas leves como bermudas e camisetas, já não me incomodam e por isso não percebo sequer os olhares preconceituosos, as pernas, costas, nádegas estão secas, hidrato diariamente para sair às cascas duras, o único local em que persiste a coceira é o couro cabeludo, já pensei em raspar a cabeça, mas não esqueci a experiência de uma década atrás, via através do espelho a minha frente, os olhares das pessoas que estavam à espera da sua vez, estavam estarrecidas com o que viam na minha cabeça, o profissional mesmo com medo nos olhos continuou a cortar, assim que terminou o corte coloquei um boné comprado especialmente para ocasião, paguei e saí sem olhar para traz.